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Mosteiro Românico de Gondar

O Mosteiro ou Igreja Velha de Gondar (como é comummente designada na freguesia) encima a mesma no lugar a que deu nome - Mosteiro.
O local, de topografia elevada, domina uma colina cujo sopé beija o curso do Rio Ovelha, nas margens do qual se vão desenvolvendo em socalcos as culturas tão próprias da região. E neste contexto de extrema ruralidade que surge o edifício românico como centro religioso (prática da liturgia, o exercício de sacramentos como o baptismo e a territorialidade do direito de sepultar) mas também como centro de fiscalidade religiosa. No pais de então o pagamento do dizimo eclesiástico era obrigatório (e era em parte pago em géneros resultado da pratica do principal modo de subsistência - a agricultura) e impõe-se sob a égide de uma Igreja que é simultaneamente sinónimo de paróquia e de freguesia. Este Mosteiro de Gondar crê-se que tenha sido de religiosas bentas e que a data da sua fundação não deve ir além do séc. XII. O Mosteiro com a respetiva Igreja pertencia à Diocese de Braga a qual, já desde o séc. IX, circunscrevia territórios pertencentes ao contemporâneo concelho de Amarante.

Em meados do séc. XIV, esta Igreja começou a servir de Igreja matriz até começos do séc. XX, data em que foi edificada a Igreja Nova de Gondar. Depois de um período em que esteve na posse de particulares (ocasião em que atingiu um considerável estado de decadência e consequente entrada em ruínas), a Igreja do Mosteiro em 30 de Dezembro de 1974 foi considerada por despacho do Secretário da Cultura e Educação Permanente, imóvel de interesse público. Desde aí sofreu várias intervenções de restauro e presentemente está muito bem conservada, servindo para ocasionais celebrações religiosas e para eventos de cariz cultural.

Este Mosteiro é um monumento deveras simples, com mais interesse histórico do que propriamente notavelmente artístico. É um monumento românico tardio dos séculos XIV - XV, de dimensões razoáveis e consiste "basicamente de dois corpos simples, de traçado retangular" e que ao longo dos tempos foi conhecendo vários acrescentos alguns deles em plena época barroca. A fachada é, obviamente, voltada para poente e não apresenta quaisquer saliências sendo apenas visíveis as aberturas da porta e do óculo que a encima. A porta é simples com arquivoltas de modinatura desenvolta abrangidas por uma arquivolta com decoração geométrica, neste caso em xadrez. O lintel está assente em dois pilares de granito sustenta um pequeno tímpano de três placas e a soleira da porta está subida. O óculo circular é fechado por uma laje côncava é penetrada por cinco orifícios dispostos segundo os quatro braços de uma cruz. A empena é encimada por uma tosca cruz de pedra. Do flanco direito da frontaria principal ergue-se um campanário adornado, a meia altura, de moldura, apoiado sobre a silharia da parede, com dois olhais de arco de volta perfeita e encimado por dois pináculos terminados em forma piramidal. As paredes laterais são de construção bastante regular. A fachada sul tem uma porta estreita com dois arcos levemente quebrados, reentrantes como os da porta principal com tímpano liso fixo em duas consolas que rematam pés lisos e de esquinas vivas. Na parte alta do alçado abrem-se duas janelas e o arquilho é de volta perfeita. A fachada setentrional, no corpo relativo à nave, tem também uma porta análoga à do alçado sul, no entanto não tem consolas e na parte alta exibe duas frinchas mais estreitas que as do alçado sul. Na extensão das fachadas norte e sul, como remate, sucedem-se cornijas com um bisel ligeiramente curvado. Cada uma das cornijas apoia-se em 28 modilhões de decoração geométrica muito simples como esferas, molduras e ranhuras. No interior do templo, à esquerda da entrada principal observa-se uma pia baptismal românica de molde poligonal. Imediatamente a seguir ao portal norte surgem da parede os degraus de acesso ao púlpito. O arco triunfal é liso, de volta perfeita e arranca de pés direitos lisos, com molduras na base e nas impostas. Na capela - mor ainda estão presentes vestígios de um mural que, segundo uma filactera (e respetiva legenda) se identifica como S. João Evangelista.

É lícito concluir que o edifício é extremamente simples, com uma decoração muito pouco ornamentada, não apresentando colunas nem capitéis nos três portais. O tímpano é de dimensões bastante reduzidas, e há o predomínio de pés direitos de esquinas vivas. Os modilhões são extremamente pobres em termos de ornamentação evidenciando algumas formas geométricas ou, em alguns casos, nem fazendo uso desse tipo de decoração tão própria do românico da zona que abrange a Bacia do Sousa e Baixo Tâmega.